Não é necessário abordarmos aqui as definições e conceitos filosóficos sobre o que é oposição, pois não teriam outra serventia a não ser cansar o leitor. Porém, destaco apenas uma de diversas definições sobre o que é ser oposição: oposição se resume em sendo o exercício do contraditório pela parcela da sociedade insatisfeita com as ações políticas e administrativas dos governos.
Diante desta simples definição, cabe a nós, oposição, fazer a leitura dos motivos da insatisfação e explorá-los responsavelmente, produzindo propostas alternativas de governo e acumulando reações até o nível da possibilidade de alternância de Poder.
Temos como exemplo a última eleição municipal. Naquele momento, a oposição acumulou de tal maneira as reações de insatisfação da sociedade com o governo da época, que não precisou debater uma proposta alternativa de ações políticas e administrativas. Talvez, elas não tenham nem existido.
A alternância, ou melhor, a “troca de comando”, se deu em razão da insatisfação da sociedade com problemas não solucionados e existentes até hoje, que foram explorados com absoluta veemência pelo atual chefe do executivo municipal.
Das urnas, em 2008, saiu um governo credenciado pelo voto de mais de 110 mil eleitores, com o desafio e a necessidade de remover os motivos que produziram a insatisfação popular, através de uma agenda política e administrativa positiva. Parece que o governo petista não conseguiu vencer o desafio.
As oposições em Petrópolis estão numa fase de excepcional graça, colocada diante de um governo com péssima avaliação e que estará obrigado a defender com vigor convincente as medidas que condenou no processo de campanha eleitoral e sobre as quais jogou a responsabilidade pela insatisfação popular.
Uma estratégia política interessante a ser adotada pela oposição será a de potencializar na opinião pública as contradições entre o discurso de campanha e a prática do atual governo, ou seja, apontar este antagonismo trágico.
A vantagem de ser oposição é poder aproveitar o tempo para formulações, sem qualquer compromisso com a implementação imediata e apressada das medidas que formula.
Uma necessidade, entretanto urge, e deve ser posta na agenda das oposições. Precisamos aproveitar o tempo e o conforto da falta de pressões populares para construir um projeto de governo alternativo, eficiente, que aponte a saída para os problemas crônicos de Petrópolis. Um programa que seja capaz de transmitir aos petropolitanos de forma segura e certa de que é possível sim, uma cidade melhor.
Petrópolis, maio de 2011.
Ramon Mello